17 dezembro 2012

Tom Zé

 Show Cancioneiro de Boal com Tom Zé, Zezé Motta e Juçara Marçal.

Sabia de antemão que não seria um show "do" Tom Zé, seria um show em homenagem a Boal, C O M  a participação de Tom Zé.( é - não dá para escrever "do mesmo" - pois Tom Zé não é o "mesmo" - ele nao cabe nessa palavra.)
O show começou no teatro "arena" do Pompeia, com todos os músicos silenciosamente se posicionando, sentados - (Tom Zé quando sentou, de tão baixinho, sumiu da minha vista), para minha ansiedade...
Juçara Marçal inicia o espetáculo  - cantando, contando histórias da época da ditadura e declama, de forma magnanima - MEU CARO AM IGO, música feita  pelo Chico para o Boal, ali pelos anos de 76(Boal estava exilado , lá pras bandas de Portugal) .  Juçara conseguiu nos contextualizar historicamente, sem perder o ritmo, a poesia, o encanto.
Então entra Tom Zé... Canta, brinca, dança, conversa contando "curiosidades" da ditadura, não deixando que o peso existente na época nos caísse nos ombros  naquele momento, portanto, sem esquecer que essa mancha um dia existiu.(E para isso estávamos ali - para homenagear, relembrar Boal, um homem que ,por impulsionar a reflexão crítica, foi exilado).Falou de tudo  com humor, irreverência, mas nem por isso perdendo,  sua relevância histórica.
Tom Zé  brinca com o hino à bandeira, recriando um verso que me deixou particularmente emocionada -
"Salve símbolo
Augusto Boal"...

Ao cantar Vai , (Menina amanhã de manhã), nos surpreende com uma sainha branca rodada, colocada na hora, e nos diverte com seus rebolados...Remexe as cadeiras e o público vai ao delírio, entre gritinhos e assovios...

Zezé  Motta entra em cena como uma deusa - sua postura e lindeza e voz, e eu tento  reconsiderar sua grandeza  quando letras escapam a memória e ao papel..(Se Chico  esquece as próprias letras...). Senti um fio solto no espetáculo, mas que após alguns arremates, transformou-se  num impecável cerzido, quando a própria Zezé acompanhado ao piano,retoma sua grandeza vocal.

E Tom Zé retorna e toma conta do palco, dos músicos, de toda plateia.

Ponto alto - a viúva de Boal, Cecília, vai ao  palco,  cai na dança , entoando o tal hino recriado em homenagem a Boal... Eles, abraçados , pareciam envolvidos naquele invólucro da magia, dos amantes que verdadeiramente viveram um a história, que pra nossa sorte, teima em viver e ser lembrada.


Palmas e mais palmas, o show parece terminar e pedimos Bis... Então, todos os artistas encarnam o verdadeiro "curinga" de Boal.


Saio do show com a sensação de que Tom Zé não existe, de tão lúdico que é!!
La fora, vendas de cds, um LP  e um livro... Eu ganho um cd da minha amiga Paula da Paz - e resolvo perder a vergonha e cair na tietagem - com direito a foto, abraços e beijos.

E torcer para que todo o arquivo de Boal seja merecidamente organizado e que venha a público ,seja  pela internet ou  nas bibliotecas,  para conhecimento de todos os brasileiros, ligados ao teatro ou não.
(o arquivo gigante de Boal estava até pouco tempo com a esposa, que já pensa  ha um tempo  que esse material seja cuidado por uma instituição - encontrou muitas dificuldades nesse aspecto, principalmente de interesse cultural brasileiro e falta de verbas).

E também torço para Tom  Zé fazer um show "só dele" !  Por enquanto, estou com o show ainda na cabeça, um cd  e uma foto  para a posteridade!!!







23 novembro 2012

pequena mostra da fragilidade humana- em filmes

É a segunda Mostra aqui em Santos.Eu soube através do meu amigo Miro(Argemiro Antunes)...Dos 10 filmes escolhi 5 .
Assisti:  Na Neblina, Fim do Amor, Liv & Bergman, A Bela que dorme e Gebo e a Sombra.

Na Neblina - foi o primeiro que risquei da  lista - o tema era guerra, filme de época, eu me perco nos acontecimentos, às vezes nãoo me contextualizo  tb - assumo, é difícil pra mim. Mas... Logo no dia que eu fui, a notícia que A Bela que dorme havia sido roubado, junto com o carro... E A Produção do evento,gentilmente cedeu convites para...adivinhem: Na neblina !!!! Eu já estava lá, decidi então ficar. Fotografia maravilhosa , filme lento, arrastado, e 3 homens ficam juntos  quase o tempo todo, e um deles tem a maior demonstração de amizade que eu já vi na vida - carrega o morto que queria ter tirado a sua vida pra lá  e prá cá, sem ao menos tirar o casacão do morto pra lhe aquecer...(Nâo, nao vou contar o filme nem resumir - mas essa história do casaco me "pegou")

Fim do amor - O rapaz jovem,  entre 25 e 30 anos tem um filho, a esposa morre e o filme começa com o pai e a criança um ano depois, mostrando sem o menor ensaio (sim - a impressão é que " era -tudo- verdade", sabe  , não queria usar a sigla, mas tipo BBB..) Só quem é mãe entendeu e sensibilizou-se com aquele pai. Gostaria de ouvir outras pessoas a respeito. Mas, falemos do filme  - o pai é um ator,nao consegue emprego, nao  aparece familia nenhuma para ajudá-lo e ele lá,sozinho, com aquele menino  pra lá e pra cá. Aparecem 2 mulheres na história,  o rapaz em seu desespero e saudades da esposa, tenta desesperadamente um relacionamento, mas não! isso não é o foco da história... O rapaz mora com 2 amigos, que pedem pra ele ir embora da casa pois ele nao pagava o aluguel há meses... Tem também a cena do peixinho - ele mata o peixinho e o recoloca no aquário, e no dia seguinte explica pro filho que o peixinho morreu, faz um caixaozinho pro peixinho, e todo o ritual pós morte. Alma atormentada. Mas eu aguentei firme e não chorei. Mas o nó na garganta ficou ali.


(ABRINDO UM PARÊNTESES GIGANTE - FOMOS INFORMADOS QUE O FILME "|A BELA QUE DORME"  FOI ENCONTRADO E GANHAREMOS UMA SESSÃO GRÁTIS) (devo dizer aqui que a essa altura, A Bela que dorme já foi pirateado ...será???)

continuando...


Liv & Bergman -  Documentário pra lá de lindo. Liv falando de sua história de amor com o Bergman e o diretor encaixando fotos e cenas altamente biográficas no caminho ...adorei e chorei, chorei, chorei, chorei. Aquela mulher linda, e eu nao farei a indelicadeza de chamá-la de senhora, tanto tempo depois, ainda guarda um grande amor no coração e se emociona em muitos momentos..Assim como eu, Liv também sofreu e chorou! Ninguém sai incólume de uma grande história de amor.

A Bela que dorme - Eutanásia, vida cheia de tubos, vida vegetativa, suicídio, política. Uma filha vegetando e uma mãe rezando, uma drogada que quer se matar e um médico compadecido tenta ajudá-la,  um pai que é um senador (que  nao concorda com o partido tem uma filha ativista pró-vida). Nesse filme, quem mais me marcou foi a drogada,  que questionou de maneira racional a vida que levava. E o médico que ficou ao lado dela - o-tem-po-to-do !!! acreditem! Dedicação total! 

O Gebo e a sombra - Um diretor e roteirista com mais de 100 anos é  para ir mesmo - e contemplar... Rever Claudia Cardinale  e Jeanne Moreau, já senhoras e ainda charmosíssimas e atuantes é  uma lição de casa. Cenas paradas(sim, a camera estava parada), parecia algo meio Brecht, mas delicado.  As cenas pareciam pinturas antigas(alguém me diga um artista que eu coloco aqui) e..pinturas que "falavam". O filme trata de uma família cujo filho sumiu, aprontou por aí e volta e ainda rouba o pai, que preservando a mãe, assume a culpa pelo roubo. Adorei a personagem de Jeanne Moreau quando tira o bordadinho da bolsa...e o personagem do velhinho que pede biscoitos.....(visitantes fila bóia.).

Agora vamos ao resumão da minha parte:

coincidência, sincronismo, ou sei lá o que mais - os filmes que eu assisti falaram das nossas fragilidades, do amor ao próximo e do estar juntos ,amando, sofrendo e não desistindo. Todos esses filmes tinham a proximidade dos personagens muito acentuada - e quando eu digo proximidade, é proximidade física mesmo - Na neblina os soldados juntos, o outro morre, o outro o carrega; Fim do amor aquele pai carregando o tempo todo aquele filho; Liv & Bergman - mesmo a Liv se separando do Bergman, continuou sua amiga, trabalhou com ele muito tempo e guardou sua história no coração - carregou Bergman na alma, literalmente...A Bela que dorme e suas pessoas morrem-não morrem mostrou o quanto as pessoas se sacrificam para ficar junto das que não estão - supostamente, nem aí pra mais nada.e pra finalizar, Gebo, aquele pai amoroso e trabalhador, provedor , cuidadoso da esposa e da nora, e dos vizinhos mais pobres ainda que ele, leva uma culpa do filho - carregará o erro do filho numa cela -por amor a sua esposa e para esta não sofrer .


Bom, minha gente! A Mostra  Internacional  foi embora, e o CINEME-SE ESTÁ CHEGANDO !!! (é tudo daqui mesmo..)


dias de...

dias de ver
tempos de parar

dias de parar
tempos de ver

parar para ver os dias
ver os tempos que se fazem nos dias

dias de ver
tempos de parar...

noturno

-Sabe aquele jantar à luz de velas  e uma  taça vinho? 
-........................................................................................

minha terra

mais uma versão:

"Minha terra tem palmeiras"

e

PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS
PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS PRÉDIOS

tamanho


orgulho de mãe

Meu fio é trabalhadô!

máxima do dia

Não se borda
com luva de box!

rascunhando

escrevo.acho feio.esqueço.apago.rasgo (e nao jogo fora).olho os papéis picados. monto  um quebra cabeça. figuras escritas não são figuras de linguagem.personagens rasgados, que nunca mais estarão conectados. rasgá-los deu-lhes a liberdade de não sobreviverem à minha imaginação.

pshhhhh...

o silêncio no começo da madrugada
chama-se: carros em movimento.

ao acordar
passarinhos des-silenciam tudo!!
chegou em casa tão triste
que
assim, sentado em frente à esposa
sentou
chorou
e morreu mais um pouco.

fugitis

enquanto vivo assim
de verdade
farei tudo que tiver vontade:
-bilhetinhos, mimos e acordes...

se cansares de tudo
fala de mansinho
vou chorar e ir embora
devagarinho.

cabendo

todas as coisas
que eu queria dizer
não cabem numa poesia
as coisas que quero dizer
cabem todas no meu coração.





(aí eu dormi lendo poesia).....




dia seguinte:




Também cabe o despertador
na manhã vagarosa
despertando o sono
e a preguiça - tamanha
botando-me a trabalhar
em poesia
enquanto café da manhã

raivinha

POIS A POESIA É MINHA

O PAPEL É MEU

O SENTIMENTO É MEU

A VIDA É MINHA

IMACULADA CONCEIÇÃO
QUE ME PROTEJA DE TI.


psicopoesia

posso usar toda poesia 
em prol de minha pessoa
necessidade orgânica
de que o papel
ainda canetável por mim
ondilhe palavras azuis
numa caneta qualquer
(desnecessária explicação).

Não. não é uma caneta qualquer.
a caneta precisa
escorregar poesia no papel
ter uma rapidez e malemolência
da própria língua e do pensamento
caso contrário 
EM - PA CA - RÁ..

e aí, já não vive.
endurece.
emburrece.
(e peço perdão ao burro
por usar seu emburrece.)


(poema-poesia  altamente psicografada por um espírito brincalhão de waly salomão)

em prosa ou...

reabilitou
em vermelho coração.
especulou.
reabilitou coraçao e corpo
e a volta do especular nuvens em  waly
Isso é um tudo
que quase bastaria.

enquanto a pele pensa em gravar todo esse registro de sensações chorando por dentro e com  medo,
a força do enfrentamento carece de coragem

ou

o enfrentamento acontece
no desejo e na coragem

ou

desejo e coragem
irmãos do enfrentamento
adormecem.

leiturinha

no ônibus
indo pro trabalho
consigo ler 3 textos. - de jornal.

se vou de carona
economizo um tempo,,
e não leio.

fio ~~~~~~~~~~~~~~~~~~

poeminha encontrado
antes horas a fio ~~~~~~~~~~~~~~~~~

depois 
por um fio ~~~~~~~~

Agora
puxo o fio da história.

declive

Te ver
como no alto de um precipício
em marcha a ré

aí reside
uma certa esperança.

poeminho prum pai feliz

Delicadamente
na suave rotina
abria a porta do carro
para esposa e filho bebê
e orgulhoso e feliz
dirigia para o mundo.

qualquer coisa...

daqueles amores que não ousamos nomear...a vontade de dizer "EU-AMO-VOCÊ" -, desse jeito assim, colada, encaixada no ombro(naquele exato espaço que lhe cabe). Não importa que em pouco tempo tudo termine, sem ter começado, ou ao menos terem tido o tempo suficiente de...de que mesmo?? de construir  uma história? de perceber que se gostavam? de ficar ao lado do outro.
Chorou encolhida e com frio. preguiça de levantar e pegar um cobertor. Chorou e pensou nessa   gentileza simples - alguém pegar o cobertor... poderia..não, não poderia...
vontade de telefonar...
ventania, portas que batem, pessoas conversam na rua..e sorriem...
então ela desiste de dizer de verdade  que estava triste, muito triste.

22 novembro 2012

antiguidade

até então vivia uma felicidade incompleta
e agora, uma tristeza que atormenta.
há poucos dias havia um brilho no espelho da casa(quando olhava, e olhava mais vezes)
hoje a nostalgia nubla seus olhos.
a bolha imaginária de felicidade estourou. (ela fez questão de alfinetá-la).
medo da bolha estourar por ele ou pelo tempo.
vazio.
tristeza de um piano esquecido e empoeirado.



08/11/2012

poema pra Waly

exercitar a escrita
com palavras simples:
CASA - CHAPÉU - FRUTA


continuar a escrita
com palavras que atormentam:
CORAÇÃO - ALMA - SAUDADE


rever a escrita
com palavras doces:
BEIJO - CARINHO - AMOR


sorver a escrita
com um vocabulário inerte:
FIM

17 outubro 2012

meio da semana

Tentaram se preservar
adiando a felicidade.

quando não aguentaram mais
conversaram e terminaram tudo
(tudo o que não tinha começado)

então,  na despedida
deram-se as mãos, um abraço 
e os beijos guardados
e viram  o quanto isso era bom.

19 setembro 2012

rotina em pé.

ônibus cheio. na praia, ainda. canal 3 .
 Dois  adolescentes, com uniforme de escola entram.
- que horas tu chega em casa?
- 14:45...



"detalhes" da resistência  da  garota(uma adolescente dos seus 14 anos :
- ônibus cheio/ em pé/ calor INSUPORTÁVEL de 39º na cidade/ vento noroeste(só quem mora em Santos conhece) e pra melhorar - eu olho pro meu relógio - 13:11 h!!! 




16 setembro 2012

descoberta do artista/homenagem à terra

a gente vai se descobrindo artista quando, além de apreciar, percebe que produz alguns "artefatos" .
 a mim , o  processo tanto me basta . nem sempre quero ou preciso de  um produto final...

Me deixar pela metade
entre  dois azuis
(e um fundo de terra e água que me havia abastecido há pouco)
causou-me espanto - pela lonjura
causou-me tristeza - pela despedida
causou-me esse vácuo -  ao qual não retorno em meu estado normal , 
nunca mais
depois de ter pisado em terras tão férteis
e em um céu tão próximo ao meu medo e aos  meus dedos.


03 setembro 2012

Para passar setembro, só um CAIO F. nas mãos

 Para quem teve contato com as crônicas do Caio Fernando Abreu na década de 90 através do Caderno 2 do Estadão , e  por aí apaixonou-se avassaladoramente por tudo - eu disse  T U D O  que ele escrevia ,  já não era sem tempo que chegasse uma coletânea desse tempo vivido na redação e na Pauliceia desvairada.
Esperei sempre por esse livro. Eu , com essa mania de hemeroteca caseira super desorganizada, arquivei vários textos daquela época, que de vez em quando eu ousava abrir e reler... E muitas vezes eu mentalizava que eu mesma adentraria os arquivos empoeirados do grande jornal e iria em busca de TODAS as crônicas e faria um livro.EUZINHA. SOZINHA.

Claro, eu nao fiz isso. Mas alguém fêz!
É claro também  que se fosse eu, selecionava TODAS, eu disse T O D A S  as crônicas dele, nada de coletânea...

Mas o livro chegou.
e hoje, 1º de setembro de 2012, faltando 11 dias pro aniversário do Caio, entro na Livraria   e passeio  os olhos sobre os títulos...até parar num livro amarelo(eram apenas 3) , "gritando" num canto. 3 livros!!Então eu pego, e não acredito: chegaram as crônicas que o Caio escreveu no jornal!!!!
Apesar do preço , resolvo me dar de presente adiantado(sou uma libriana).
Converso então com o vendedor, meu amigo, que diz:
- Chegou ontem , às 10 da noite! Só vieram esses três!
(tive a impressão de estar com um bebê recém nascido, com toda aquela energia que é típico desse pequeno ser).

Como uma adolescente apaixonada, segurando seu diário secreto    no peito, pago e vou pra casa, ávida!
Ao chegar, abro ao acaso e , como um oráculo, a crônica é "Adeus, agosto. Alô setembro"...
Nostalgia à parte "A vida gritando nos cantos" traz um Caio F. que tinha um ritmo urbanóide total,sem perder a ternura, era um metrô transpassando as ideias e sem parada.

Setembro chegou, com ele Caio F. numa primavera disfarçada de verão na minha cidade.
eu também disfarço. E choro.




P.S. O título do livro está na página 91,  tirada de um finalzinho de frase...(crônica - QUEREM ACABAR COMIGO)






20 agosto 2012

fuxicos

são redondos
coloridos
exigem paciência, cuidados, capricho

ficam mais bonitos alinhavados
o que dá mais trabalho
e mais boniteza
(e mais prazer ao ver  o resultado)

Checando  os fuxicos da minha tia :
todos são alinhavados,
todos ficam abertinhos no meio
todos são costurinhas naifs
todos costuram as histórias dessa mulher.

Minha tia ficaria o resto da vida fuxicando...
ai, quem me dera uma tarde inteira com ela,
assim... pertinho de mim...

Bruna  me despacha com uma sacola de tecidos
e o pedido de uma cortina.
Não sei
o que sei :  reaprendo que
fuxico e a terra são redondos,
fuxico e flores, coloridos
fuxico e a vida : necessário alinhavar...

e tudo com capricho
paciência
e amor.

25 julho 2012

nao consigo passar a limpo tantos rascunhos.

passeava na década de 70

em 1976 meus ouvidos escutaram  repetidamente Paulo Diniz em "Vou me embora pra Pásargada"...
 e eu achava  aquela música um grande poema -
 descobri por acaso Manuel Bandeira.

em maio de 1997, seu Julio, pai do Julinho Bittencourt, me faz chorar ao declamar o tal poema.
Maurice Legeard  partiu pra uma Pásargada de roteiros desconhecidos, mas nem por isso não imaginados.

Minha mãe ouvia Paulo Diniz. Hoje eu leio Manuel Bandeira. 

No meio disso tudo, eu  passeava pelos anos de chumbo de 76, 77, achando que  o grande movimento que acontecia era  apenas o movimento hippie.


27 maio 2012

escaneando a saudade

a filmagem parecia escanear a casa dele, os livros, os filmes, os quadros, os potes , parecia atás de um tesouro, nas entrelinhas da casa, da janela, das frestas, dos buracos nas paredes, da escada, de tudo. parecia  que, fazendo assim, buscava por ele. 

eu filmava  com uma certa pressa, sem me deter nos detalhes..seria falta de tempo, seria uma tristeza louca, seria...?
não sei.    falta de demora no olhar, pois é necessário uma certa morosidade pra se guardar tudo aquilo. é que eu não tive tempo. ele chegou na minha vida pedindo uma foto. e vieram tantas pra posteridade, tantas fotos doloridas ele pediu que eu tirasse. e...quando ele se foi, prometi não tirar mais fotos tristes. 
mas ao ir em sua casa, tal qual escritório de Barthes - livros,filmes, quadros..buscava  o tempo que não me pertenceu. desculpas por uma filmagem triste. 

17 abril 2012

A música cabe na história

Ouviu a música , que lhe cabia tão bem na pequena história de amor inexistente. Chorou ausências e carências. Feito cena de filme - num canto escuro da casa, ouvia - repetidas vezes a mesma música. Chorou - até secar as lágrimas. Ao retornar, dias depois, percebeu uma flor em sua mesa e um violão ao canto. A música já fazia efeito contrário e então percebeu que 360 dias depois era quase a mesma mulher, com menos medo e mais poesia.

14 abril 2012

a foto do poeta

o primeiro poeta que me veio:  Carlos.
nessa foto, que eu gosto tanto
e que imagino
uma criança tirou!

(ou alguém com uma alma de criança)

p.s.
foto tirada em 1972 -@ ROGÉRIO REIS 

TAÍ :
http://www.univercidade.br/webtv/utv/vidavivida/rogerioreis/rogerioreis.asp


12 fevereiro 2012

Posse

Meu filho vai  se chegando
na  MINHA  BIBLIOTECA 
:
- Paulo Freire, Toscani, Steinbeck,
Passa os olhos por ela e escolhe alguns.
Passa os olhos por ela e diz:
- Essa biblioteca será minha !

sopro

Estou onde
minhalma alcança

08 fevereiro 2012

amassadinho

eu tinha um poema
pra te enviar pelo correio
num papel de seda - amassado
assim como meu coração  .
ainda bem que nao tenho teu endereço.

07 fevereiro 2012

hilda por bruno villela

"Pocilgas de Hildas Hilst colorindo sítios bucólicos de torpes maledicências! " BRUNO VILLELA... 
 
hilda abriu os olhos e tomou uma taça!

até te cortando, recortando, fora doc ontexto, é poesia..e das boas, e nao tem nada de mais amor, vejo muita fúria, ufa!!!! o amor passa raspando! ok!
 

02 fevereiro 2012