15 julho 2006

Sempre me escandalizo com as pessoas que esquecem completamente o propósito que escolheram para si. O sonho que tinham, o esforço que fizeram pra chegar até ali. Médicos que detestam pacientes, enfermeiros que se irritam ou ignoram a dor, professores que têm horror a ensinar e acham absurda a idéia de tentar cativar os alunos. Alguns se transformam em verdadeiros sádicos, felizes em criar provas em forma de armadilhas, dar instruções truncadas e humilhar quem erra ou não sabe responder. O sentido de boa parte da sua vida totalmente obliterado por egoísmo e má-vontade. Soninha Francine em seu blog !

27 junho 2006

Eduardo Galeano:

"A utopia está no horizonte...
Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos.
Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.
Por mais que eu caminhe jamais a alcançarei.
Para que serve a utopia?
Serve para isso: para caminhar."
pequena homenagem a Bruna e Sergio que trabalham na Ciranda do MTST

1) Ao contrário do que se pensa bater numa criança, com o pretexto de "educá-la" é um atentado à dignidade dela. Já se escreveu que:

- Bater num adulto, chama-se agressão,

- Bater num animal, chama-se crueldade,

Por que então bater numa criança seria educação?

2) Além disso, em 1990 o Brasil ratificou a Convenção sobre os Direitos da Criança (1989), a qual prescreve em seu artigo 19.1:

“Os Estados Partes adotarão todas as medidas legislativas, administrativas, sociais e educacionais apropriadas para proteger a criança contra todas as formas de violência física ou mental, abuso ou tratamento negligente, maus-tratos ou exploração, inclusive abuso sexual, enquanto a criança estiver sob custódia dos pais, do representante legal ou de qualquer outra pessoa responsável por ela”.

Portanto, a criança tem direito à total proteção de sua integridade física e psicológica
A Punição Corporal Doméstica de Crianças e Adolescentes de qualquer natureza não é compatível com a Convenção .

Além disso, devemos tomar em conta as recomendações do Comitê dos Direitos da Criança – ONU – sobre o relatório apresentado pelo Brasil em termos do cumprimento desta mesma Convenção – 01/10/2004 :
“42. O Comitê expressa sua preocupação com que a punição corporal é largamente praticada no Estado-parte e que nenhuma Legislação explícita existe no Estado para proibi-la. Punição Corporal é usada como uma medida disciplinar em instituições penais, punição ‘razoável' é realizada em escolas e ‘punição moderada' é lícita na família.
43. O Comitê recomenda que o Estado-parte proíba explicitamente a punição corporal na família, na escola e nas instituições penais, e empreenda campanhas educativas para educar os pais sobre alternativas de disciplina ”.

A Convenção enfatiza a importância de se ouvir e de se respeitar as opiniões das crianças .

26 junho 2006

ESTAREMOS TORCENDO POR GANA.............OPS.............PELO BRASIL, claro !!!!!!!!!!!
ESSE FOFO LINDINHO SENSIVEL E APAIXONADISSIMO PELOS LIVROS MERECEU MUITO ESSA CADEIRA...QUE ELE SEJA EMBALADO PELOS LIVROS POR TODO O SEMPRE....SOU SUA FÃ, MINDLIN !!!! E FIQUEI MUITO FELIZ COM ESSA NOTÍCIA... BJS BJS
José Mindlin, 92, foi eleito na tarde desta terça-feira o mais novo membro da Academia Brasileira de Letras. O bibliófilo paulista ocupará a cadeira número 29, vaga desde a morte do historiador Josué Montello, em março passado.

Advogado, jornalista e empresário, Mindlin tem cerca de 45 mil volumes em sua biblioteca, que se tornará pública graças a um acordo com a USP. Os livros ficarão em um prédio da universidade, cuidados por uma fundação.

Jorge Araújo/Folha Imagem
José Mindlin foi eleito para a ABL nesta terça
José Mindlin foi eleito para a ABL nesta terça
Em uma votação com resultado previsível, o bibliófilo foi eleito com 33 votos, 14 a mais do que os 19 necessários para ser eleito. Houve também um voto em branco e duas abstenções.

Dada a força da candidatura de Mindlin, outros três concorrentes (o escritor e cartunista Ziraldo, o jornalista Villas-Bôas Corrêa e o publicitário Mauro Salles) retiraram suas candidaturas. Restaram Mindlin, Áureo Bringel de Mello, Júlio Romão, Nelson Valente e Vilma Guimarães Rosa, que não tiveram votos.

A cadeira 29 foi ocupada por Montello durante 52 anos, o que dá a ela especial importância para os acadêmicos. Montello morreu em 15 de março deste ano.

Em 9 de março último, o cineasta Nelson Pereira dos Santos foi eleito para a cadeira de número 7, que ficou vaga após a morte de Sergio Corrêa da Costa.

04 junho 2006

Meu amigo Stamato
..
.. a SAUDADE É ETERNA, COMO FICARÁ ETERNO SEU SORRISO, SUA VOZ, SEU CARINHO, SEU AMOR,SUA ALEGRIA, SUA "LOUCURA" insana PELA VIDA E PELO SER HUMANO...Ainda não me curei dessa saudade, mas... SAUDADE TEM CURA ???? .. Minha saudades é eterna e minha gratidão a Deus por te-lo conhecido também, por ter morado em tantos abraços teus... verdadeiros e confortantes..Esse mundo dói.. Mas estar sem vc dói muito ainda...
EU TE AMO MUITO BELZINHA

Maluco Beleza




Composição: Raul Seixas e Claudio Roberto
Enquanto você se esforça pra ser
um sujeito normal
e fazer tudo igual

Eu do meu lado, aprendendo a ser louco
Maluco total
na loucura real

controlando a minha maluquez
misturada com minha lucidez

Vou ficar
ficar com certeza
maluco beleza

Este caminho que eu mesma escolhi
É tão fácil seguir
por não tem onde ir

Vão falando minha maluquez
misturada com minha lucidez

Vou ficar
ficar com certeza
maluco beleza
Eu vou ficar...
.

25 maio 2006

FERNANDO
PESSOA

Poesias de
Álvaro de Campos

      TABACARIA

    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
    Janelas do meu quarto,
    Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
    (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
    Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
    Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
    Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
    Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
    Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
    Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
    E não tivesse mais irmandade com as coisas
    Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
    De dentro da minha cabeça,
    E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
    Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
    Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
    À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
    E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
    Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
    Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
    Gênio? Neste momento
    Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
    E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
    Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
    Não, não creio em mim.
    Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
    Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
    Não, nem em mim...
    Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
    Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
    Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
    Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
    E quem sabe se realizáveis,
    Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
    O mundo é para quem nasce para o conquistar
    E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
    Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
    Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
    Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
    Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
    Ainda que não more nela;
    Serei sempre o que não nasceu para isso;
    Serei sempre só o que tinha qualidades;
    Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
    E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
    E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
    Crer em mim? Não, nem em nada.
    Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
    O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
    E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
    Escravos cardíacos das estrelas,
    Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
    Mas acordamos e ele é opaco,
    Levantamo-nos e ele é alheio,
    Saímos de casa e ele é a terra inteira,
    Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
    (Come chocolates, pequena;
    Come chocolates!
    Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
    Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
    Come, pequena suja, come!
    Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
    Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
    Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
    Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
    A caligrafia rápida destes versos,
    Pórtico partido para o Impossível.
    Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
    Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
    A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
    E fico em casa sem camisa.
    (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
    Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
    Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
    Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
    Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
    Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
    Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
    Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
    Meu coração é um balde despejado.
    Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
    A mim mesmo e não encontro nada.
    Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
    Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
    Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
    Vejo os cães que também existem,
    E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
    E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
    Vivi, estudei, amei e até cri,
    E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
    Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
    E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
    (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
    Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
    E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
    Fiz de mim o que não soube
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara.
    Quando a tirei e me vi ao espelho,
    Já tinha envelhecido.
    Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
    Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
    Como um cão tolerado pela gerência
    Por ser inofensivo
    E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
    Essência musical dos meus versos inúteis,
    Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
    E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
    Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
    Como um tapete em que um bêbado tropeça
    Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
    Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
    Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
    E com o desconforto da alma mal-entendendo.
    Ele morrerá e eu morrerei.
    Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
    A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
    Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
    E a língua em que foram escritos os versos.
    Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
    Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
    Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
    Sempre uma coisa defronte da outra,
    Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
    Sempre o impossível tão estúpido como o real,
    Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
    Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
    Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
    E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
    Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
    E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
    Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
    E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
    Sigo o fumo como uma rota própria,
    E gozo, num momento sensitivo e competente,
    A libertação de todas as especulações
    E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
    Depois deito-me para trás na cadeira
    E continuo fumando.
    Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
    (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
    Talvez fosse feliz.)
    Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
    O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
    Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
    (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
    Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
    Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
    Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
    Álvaro de Campos, 15-1-1928
Instruções para Ler Tabacaria - Para Mulheres !!!!

1- Ame Fernando Pessoa . Ou finja um pouquinho. Ou Aprenda a gostar dele através de quem gosta.
2- Imprima o texto. (não leia - aguarde todas as pesoas saírem de casa - TODAS - até a cozinheira, babá,filhas, marido, filho da outra, filhos da mãe que perturbam.. e desligue o telefone, celular).
3- Vá para o lugar mais calmo da casa, ligue um som, eu recomendaria um blues, bem suave, BLUES !!!!!
4- Abra um bom vinho, sirva pra vc mesmo, numa taça de verdade, não vale copo !
5- Veja se vc está vestida de acordo ! o seu melhor jeito, escolha, vc é livre nesse momento! roupa de festa, pijama de ursinho, lingerie, nua, vestido florido de camponesa, , hj não vale DASLU !!!! talvez uma peça da DASPU ..
6- se gostar, acenda um incenso...de madeira - tabaco - madeira.
7- então, passe um batom, olhe-se no espelho.. ou não.. E então pegue o poema.... Olhe para ele. Encare-o.. Lembre-se - poema de 1918 - inofensivo....
9 - LEIA O POEMA, MINHA AMIGA... é inofensivo, mas é INTENSO, ATEMPORAL.........
10. Terminou de ler? Gostou da Experiência?

só lembrando... abra as janelas, ligue os telefones, convide alguem para tomar o vinho com vc..
se não gostou - então RASGUE O POEMA e esqueça essas bobagens que as vezes fazemos pra lembrar da gente, que vive no meio desse turbilhão chamado VIDA...... e olha, Fernando Pesoa estava te olhando, hein!!!!

13 maio 2006

(debret)

LIBERTAÇÃO PRA QUEM ???????????????????????

13 de maio




ESCOLA

Paulo Freire

Escola é...

o lugar onde se faz amigos,
não se trata só de prédios, salas, quadros,
programas, horários, conceitos...
escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, que estuda,
o coordenador é gente, o professor é gente,
o aluno é gente, que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente, cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor na medida em que cada um
se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de "ilha cercada de gente por todos os lados".
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir que
não tem amizade a ninguém, nada de ser como o
tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
é também criar laços de amizade, é criar ambiente de camaradagem,
é conviver, é se "amarrar nela"!
Ora, é lógico...
numa escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer,
fazer amigos, educar-se, ser feliz!
essa pequena é a Mayã....
testando...............
Mais uma vez, testando um blog...........