13 janeiro 2015

O que pode uma fotografia ?

foto: CELSO LIMA

Querido. Vi a foto de sua mãe. Já senhorinha, pousando seu corpo  , com mãos estendidas para suas plantas.(sim, o verbo é: pou-san-do...”) ....  
Ali, identifiquei um maracujá e sua flor... a flor do maracujá.
Lembrei de minha mãe, que já se foi. Ela  gostava de plantas –  não gostava apenas – A-DO-RA-VA ...Tinha uma casa-sítio em Peruíbe. Às vezes, passava pelo meu apartamento e  levava algumas plantinhas esturricadas para cuidar . Certa vez,  plantei uma semente de maracujá, e ela ficou indignada que eu ia deixar ali , num vasinho qualquer. Levou pro sítio , cuidou e  a plantinha  cresceu. Então ela me devolveu, já crescido e cuidado, o talmaracujá. Voltando à pequena área, a plantinha começou a definhar. Dei para uma amiga , cujo pai tem dedos verdes e a plantinha foi morar em outros quintais. Quando minha mãe faleceu, o maracujá floresceu...e eu fui lá pra ver....
Na verdade eu fui lá pra ver minha mãe através  da flor...
Pois somos  sementes,é isso..E florescemos...basta um pouco de cuidado.


Então, o que pode uma fotografia? 

21 dezembro 2014

SALA É CELA.
LICENÇA MÉDICA NÃO É 
LICENÇA POÉTICA.
Essa escola acima é de que século?                     



15 novembro 2014

03 outubro 2014

Casa das Estrelas - um livro sim senhor!



A ideia é antiga - fazer perguntas às crianças, anotar, registrar, fazer um livro (sim, no Brasil  Pedro Bloch, médico que anotou incansavelmente frases das crianças ,   já escreveu  um  livro com essa temática.)
Temos também, Adriana Falcão, roteirista em seu Pequeno dicionário de palavras ao vento” , Arnaldo Antunes com “ As coisas” e, claro, Manoel de Barros em toda sua excelência, exalando  criancice e simplicidade(nem tão simples assim).
Mas quero falar do livro do   professor colombiano Javier Naranjou, que   colecionou de seus alunos , crianças de 8 a 10 anos essas definições, altamente filosóficas e deu no livro Casa das Estrelas, editado aqui no Brasil  ano passado, ganhou prêmio e tudo. Ele fez em forma de dicionário,  com a 1ª edição colombiana em 1999.
O livro tem uma ilustração belíssima de Lara Sabatier – quando eu comprei o livro mês passado fiquei olhando,olhando ,olhando as imagens sem parar..Poesia também para os olhos.
Em algumas definições você para e pensa- Meu Deus – como essa criança-filósofa pensou isso??!!!! E o livro então,cumpre seu principal papel- fazer você parar e refletir muuuuito sobre o assunto! Ou     você é convidado  “apenas”  ao espanto....
Mesmo sabendo das ideias parecidas, são outras idéias,  outras crianças,outras reflexões.
Um livro que eu digo  – compre, você não vai se arrepender..Funciona como um livro de meditação – seja pelas frases, seja pelas belíssimas ilustrações... O Tao Te Ching das crianças !
(Isabel  Helena Nascimento)

16 abril 2014

antes da música

Caixinha dos 70 anos de Hernínio Bello, em Timoneiro 1. 
5 cds, encartes  e músicas, muitas músicas.. Vou aos poucos.
cada encarte é um livro de prosa e poesia
objeto de meu desejo auditivo, queria esse cancioneiro em minha casa,
( uma amiga emprestou de tanto que eu pedi...)
Olho devagar a caixinha, retiro-me em silêncio.
Em Timoneiro 1, música 2 - "Amigo é de casa - Cem anos de choro( Capiba e Hermínio).
Leio em voz alta, antes de escutar qualquer som produzido ali. Quero essa poesia do "Amigo é casa", falando dos amigos , rendendo uma grande homenagem a esses que nos rodeiam sem fins lucrativos!!!
Quero o poema sem som. quero a palavra sem ritmo dos instrumentos.
quero a PALAVRA AMIGO. e toda definição que só Hermínio poderia oferecer - atenção - O-FE-RE-CER...



08 abril 2014

Telhados se vão

Menos 3 casas. Rua Newton Prado.
Ontem elas amanheceram com um buraco ao fundo dos seus estômagos.
Recentemente pessoas dormiam, viam televisão, contavam seus dramas,ouviam músicas,  conviviam...
Hoje, destelhadas. Em breve, estarão no chão..  mais um prédio a subir em direção ao céu, sem direito à defesa, fundamentos, estudos de impacto ambiental.
Vamos "cantá pra subi " !

11 janeiro 2014

Direito ao Céu ou Como transgredir para brincar...

PIPA: um brinquedo que voa baseado na oposição entre a força do vento e a do  fio segurado por uma criança(ou adulto). É feita de papel que tem a função de asa, sustentando o brinquedo ao ar livre, de preferência  UM CÉU  .




CRIANÇA :  Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, criança é  um ser humano em  "peculiares condições de desenvolvimento, devendo ser, em todas as hipóteses, respeitados." e no artigo 16, parágrafo IV: “O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: brincar, praticar esportes e divertir-se.”


PRÉDIO :  Construção que possui vários andares, onde as pessoas moram - pode ser grande ou pequeno, ter vários cômodos ou ter apenas  3 espaços como o prédio acima - chamado  kitnete - corredorzinho mínimo, banheiro minúsculo e um quadrado de mais ou menos 3 x 3m , onde podem morar de 1 a várias pessoas - no caso acima, moram 3 crianças e 1 adulto. Geralmente tem um síndico para por "ordem"  e um zelador "pelego". E pessoas adultas que esqueceram que um dia foram crianças. Um prédio, raramente tem um espaço para as crianças brincarem, espaço pra empinar pipa, nem pensar !!!!

BRINCAR:   “[...] as crianças e os animais brincam porque gostam de brincar, e é precisamente em tal fato que reside a sua liberdade”.Huizinga (1980, p. 320)  

Eu poderia falar de outras definições do brincar , tema tão estudado e  abordado, nas últimas décadas, mas nem sempre respeitado pela Sociedade em geral, principalmente em instituições escolares.
Mas, olhando essa foto que fiz hoje, da janela do meu 6º andar, quero apenas relembrar da importância que o brincar possui, da sua força e da sua poesia.  Onde já se viu , empinar pipa do corredor de um prédio, num 3º andar? (adorei a transgressão, apesar de me preocupar também) .Era o espaço possível. Duas crianças, 2 meninos, entre 8 e 10 anos brincavam de pipa, e dividiam entre si , pois a brincadeira era manter a pipa voando....e o desafio : não muito longe . Crianças e pipas presas na possibilidade do concreto. Nada de grandes voos, nada de correr pelas ruas. Ainda tinha mais uma criança, de uns 3 anos, que eles também se revezavam - entre cuidar e brincar. 

Numa cidade onde  a verticalização toma conta,  me pergunto que espaços sobrarão para as crianças brincarem, de fato? Onde estão os quintais? Onde estão as praças e seus domínios a serem explorados? Se  brincar deriva do latim vinculum, que significa laço, união e criação de vínculos, como criar e perpetuar esses vínculos para a criança exercitar sua criatividade, sua  compreensão de mundo ? 
Falo da minha realidade, questiono as possibilidades do meu entorno, sabedora que sei de que ainda em muitas periferias, apesar de tudo, crianças brincam pelas ruas, de pipas, que voam,  voam ao sabor do vento, das nuvens, voam pra longe -  pro céu. Na nossa cidade caiçara,   não existem pipas - existe ganância de quem pensa arranhar o céu !



fotos: Isabel Nascimento 



04 janeiro 2014

parindo palavras



as palavras tiram o sono
brigam entre si
às 4 da manhã.
Entram no peito
te fazem levantar
te fazem caminhar pela escuridão da casa buscando um canto onde possa parí-las.
E num cantinho azedo da cozinha, entre louças e panelas de molho
e plantinhas recém-cuidadas
(e um certo clima de solidão e frescor)..
Então as palavras,  com medo
embotam-se e parecem - ao invés de nascer , morrer..
(num aborto espontâneo)

02.1.2014

10 dezembro 2013

2 livros , um quintal e uma therezita

entre um e outro mais de 20 anos.
Em 1988 eu li O Quintal Mágico.. fêz toda diferença na minha vida profissional... Hoje, ler "De volta ao Quintal Mágico", é como legitimar que todo esse tempo Therezita , que tanto me inspirou, ainda é contemporânea da Simplicidade.... Vale a pena, pessoal.. Livros "PARA TER...



mais um vagão

Santos-Guarujá ou vice-versa - 10.12.2013 9 horas. 

Liberaram a travessia, o rebocador quase pegou duas catraias e o mundo parou para quem estava ali naquele momento. Pessoas gritaram, rezaram e , a vida, por um fio, continuou sendo perigosa.




foto: Maicon 

Quando a irresponsabilidade de uns,  não dimensionam as consequências, seria por qual motivo? A mobilidade urbana continua precária, tal qual navio negreiro, é isso??? 
Se milhões de africanos foram escravizados, trazidos de forma inclassificável num navio, parece que o transporte público perpetuou esse "jeitinho" . A mão de obra vai todos os dias, da periferia ao centro e retorna, sem a menor condição e dignidade. 
Continuamos escravos de um Sistema, e sabendo que o conforto e a dignidade é para poucos.

madrugada

A madrugada é composta
sempre
de um cão latindo ao longe,
barulhos de fantasmas
(discretos)
às vezes um bebê chorando,
e raramente
gemidos de amor.
A madrugada
anda silenciosa e cansada.

Garimpo...

Garimpo na delicadeza da palavra, do paladar e do enfeite...
Não resisto á um brechó, bazar, sebo....
E às vezes estou com o dinheiro "con-ta-di-nho".. Meus tesouros da semana : um colarzinho azul, um livro de poesias em francês e italiano(que provavelmente vai para um amigo) e  um livro de receitas com um nome  delicioso - Doces, Segredos e Carinhos...(faltou um cd - conto depois).
O livro de receitas, ao folhear,  dei de cara com um doce português e lembrei da minha amiga Cice, e mais um  pouco, o tal Strufulli, da Heloísa Amazonas, (outra amiga mais que querida) que já tenho escrito no meu caderno de receitas. Pra Cice eu pretendo fazer o doce, pra Helô, eu já fiz , e ela ainda lambeu os beiços dizendo que lembrou da vó dela....
O colarzinho?? já usei...ficou lindo.
Total da compra? R$ 7,00  !! Uma fortuna...


30 junho 2013

Minhas tão pequenas dívidas

Leio no jornal que "Empresas de Eike têm dívida com 11 bancos". Fico feliz por ele - eu tenho dívida com "apenas" 2 bancos"  e mais algumas dívidas pequenas..(Ironia à parte) .
A mesma matéria  diz que Eike tem uma dívida de  "7 BILHÕES E 900 MILHÕES" - escrevi assim, por extenso, pra gente dimensionar o valor de tal dívida. A minha dívida não chega a ... tenho até vergonha de dizer o valor, de tão pequena(tudo bem pra mim ela é imensa) . Não entendo de contabilidade - aliás, meu grande sonho era ter um contador - alguém que eu entregasse meu salário e então fizesse "milagres" que eu mesma nao consigo fazer - que pagasse todas as contas, sobrasse para uma poupancinha, e que eu conseguisse comprar livros, presentes para os amigos, ir até ali, São Paulo, assistir um show, visitar uns amigos...coisas pequenas... Na verdade acho que ao invés de um contador eu precisaria de um "milagreiro".
Mas voltando à dividas do Eike, um cara que já foi o 7º homem mais rico do mundo, hoje precisa vender o almoço pra comer a janta. Eu continuo comendo meu almocinho e tomando meu café com  leite final de tarde. Nossa diferença é que meu nome num SPC, ou SERASA não me abre portas em nenhum banco para um financiamento , empréstimo ou seja lá o que for(melhor assim - não conseguria mesmo pagar)  .Meu nome ,(graças a Deus), nao sai no jornal. Meu nome, minha profissão(professora) causa apenas indiferença. Exemplo? Fui ao cinema , paguei meia entrada, e ao mostrar o holerith e moça  exclamou:"ahhnnn...que legal..." eu nao entendi - ou ela tinha fumado um baseado antes e viajou nas letrinhas, nos numerozinhos, nos cifrõezinhos, ou ela achou que realmente, "Legalmente" que  eu mereço esse salário.Ignorei. Minha questão com tantos bilhões é apenas uma -  uns com tantos e outros com tão pouco. Mesmo nas dívidas.
 Já sei algumas explicações contábeis, econômicas, políticas...Essas não me interessam. O cerne da questão : quando será que , utopicamente , ganharemos um salário "decente"?  -  aquele com o qual  eu quitaria minhas dívidas com os 2 bancos e outras pequenas  pendências ?
Minha proposta: Deputados, Senadores   , façam o TRS -Teste da Resistência  Salarial - vivam, (e sobrevivam)  um mês com   um salário mínimo , das empregadas, dos atendentes de telemarketing,  com o salário de um professor da rede pública...  Tenho certeza, Eike não será o único a dever tanto!

13 maio 2013

ninguém sabe

do meu amor mais recente
da saudade mais presente
das angústias viscerais
dos meus eternos ais

do meu segredo mais profundo
do meu medo mais absurdo
das alegrias solitárias
dos passeios em meus escuros.

do meu véu de tule aparente
da força inexistente
da correnteza do sangue ausente.

da incerteza de onde vim
da infinita ilusão pra onde vou
do caos que mergulhei
de tudo que ainda nao sei

mas que  ninguém 
também,
nunca  nunca
irá saber!

A não ser que eu conte!




17 fevereiro 2013

notas dispersas

quando  lhe deram o violão
não sabia que a música poderia salvá-lo de si mesmo.

quando lhe apresentaram a filosofia
não sabia que tanto pensamento lhe  faria sofrer.

quando lhe apresentaram o amor
preferiu a solidão.

Hoje canta pedaços
toca notas dispersas
perde-se no que fala
e espera o ponto final.

Apresentei-lhe as reticências...
E aguardamos, em silêncio...


10 fevereiro 2013

Nuvens são feitas de algodão

                                             foto:   João Claudio de Sena


JANEIRO /1994. Primeira vez que eu entrava num avião. Não tinha medo, nem pavor, mas tinha um certo desconforto. Carregava  dois  filhos, uma menina bem gordinha no colo e  um outro  de 8 anos, que já tinha viajado de avião e parecia estar em casa... Eu estava ansiosa, ia ver minha irmã que eu não via há quase  4 anos. A ida foi mesmo um pouco tensa, e eu não sentei próxima à  janelinha... Olhava  de longe, e só imaginava as distâncias  entre avião, terra firme e família.  Chegamos todos bem, curtimos a cidade (descobri nuvens lindas   no ceú do meu nordeste)   e voltamos.
Aí começou a minha aventura no céu. Sentei  colada à janelinha"... e mais sossegada, mais relaxada, vi pela primeira  vez as nuvens lá de cima... Pareciam de algodão. Eu ria sozinha, eu ria por dentro, eu queria gritar pras pessoas - "Gente - as NUVENS!!! Parecem  algodão!! Que lindo  !!!!  E ali, silenciosamente agradeci  aos deuses por essa visão tão encantadora  pra mim,  imagem  tão linda e poética. Tirei foto, sim, não ficou boa, fiquei  frustradíssima. Mas jamais esqueci a sensação de felicidade que senti ao ver as nuvens de algodão do planeta.

Poucas viagens de avião depois  - sempre querendo sentar próxima à janela...Vi sol nascendo, sol se pondo, noite fechada, pequena turbulência. Mas nada igual aquela primeira vez, aquela primeira emoção.

JANEIRO/2013. Facebook. fotos do João Claudio  ---Bolívia. Não importa se era céu da Bolíva ou do Brasil. Era esse céu, com essas nuvens e essa ponta  do avião que eu vi. há exatos 19 anos atrás e eu ,  na mesma hora lembrei do que meu corpo registrou e tive vontade de gritar de alegria - Elas continuam lá - As nuvens!   e de  algodão, trazendo o encantamento   às  "crianças". E  para  alguns adultos !!!   



10 janeiro 2013

especulando nuvens em sp

 mesmo através de
 janelas
 vidros
 persianas
 distâncias
 prédios

e ausências
 continuo...
"especulando Nuvens" (Waly Salomão)
em sp.







sabor

de repente
um gosto de infância
e eu procuro entre os corredores da memória
e encontro apenas o sabor
e sei que é lá
perdida na  infância
o sabor doce que trouxe comigo.

não importa idade que tive
idade que tenho
sei que era infância
e era esse o sabor.

17 dezembro 2012

Tom Zé

 Show Cancioneiro de Boal com Tom Zé, Zezé Motta e Juçara Marçal.

Sabia de antemão que não seria um show "do" Tom Zé, seria um show em homenagem a Boal, C O M  a participação de Tom Zé.( é - não dá para escrever "do mesmo" - pois Tom Zé não é o "mesmo" - ele nao cabe nessa palavra.)
O show começou no teatro "arena" do Pompeia, com todos os músicos silenciosamente se posicionando, sentados - (Tom Zé quando sentou, de tão baixinho, sumiu da minha vista), para minha ansiedade...
Juçara Marçal inicia o espetáculo  - cantando, contando histórias da época da ditadura e declama, de forma magnanima - MEU CARO AM IGO, música feita  pelo Chico para o Boal, ali pelos anos de 76(Boal estava exilado , lá pras bandas de Portugal) .  Juçara conseguiu nos contextualizar historicamente, sem perder o ritmo, a poesia, o encanto.
Então entra Tom Zé... Canta, brinca, dança, conversa contando "curiosidades" da ditadura, não deixando que o peso existente na época nos caísse nos ombros  naquele momento, portanto, sem esquecer que essa mancha um dia existiu.(E para isso estávamos ali - para homenagear, relembrar Boal, um homem que ,por impulsionar a reflexão crítica, foi exilado).Falou de tudo  com humor, irreverência, mas nem por isso perdendo,  sua relevância histórica.
Tom Zé  brinca com o hino à bandeira, recriando um verso que me deixou particularmente emocionada -
"Salve símbolo
Augusto Boal"...

Ao cantar Vai , (Menina amanhã de manhã), nos surpreende com uma sainha branca rodada, colocada na hora, e nos diverte com seus rebolados...Remexe as cadeiras e o público vai ao delírio, entre gritinhos e assovios...

Zezé  Motta entra em cena como uma deusa - sua postura e lindeza e voz, e eu tento  reconsiderar sua grandeza  quando letras escapam a memória e ao papel..(Se Chico  esquece as próprias letras...). Senti um fio solto no espetáculo, mas que após alguns arremates, transformou-se  num impecável cerzido, quando a própria Zezé acompanhado ao piano,retoma sua grandeza vocal.

E Tom Zé retorna e toma conta do palco, dos músicos, de toda plateia.

Ponto alto - a viúva de Boal, Cecília, vai ao  palco,  cai na dança , entoando o tal hino recriado em homenagem a Boal... Eles, abraçados , pareciam envolvidos naquele invólucro da magia, dos amantes que verdadeiramente viveram um a história, que pra nossa sorte, teima em viver e ser lembrada.


Palmas e mais palmas, o show parece terminar e pedimos Bis... Então, todos os artistas encarnam o verdadeiro "curinga" de Boal.


Saio do show com a sensação de que Tom Zé não existe, de tão lúdico que é!!
La fora, vendas de cds, um LP  e um livro... Eu ganho um cd da minha amiga Paula da Paz - e resolvo perder a vergonha e cair na tietagem - com direito a foto, abraços e beijos.

E torcer para que todo o arquivo de Boal seja merecidamente organizado e que venha a público ,seja  pela internet ou  nas bibliotecas,  para conhecimento de todos os brasileiros, ligados ao teatro ou não.
(o arquivo gigante de Boal estava até pouco tempo com a esposa, que já pensa  ha um tempo  que esse material seja cuidado por uma instituição - encontrou muitas dificuldades nesse aspecto, principalmente de interesse cultural brasileiro e falta de verbas).

E também torço para Tom  Zé fazer um show "só dele" !  Por enquanto, estou com o show ainda na cabeça, um cd  e uma foto  para a posteridade!!!