30 junho 2008

tudo em volta
qua-dra-di-nho.

parecia uma cela
a sala.

sentiu vontade de sair correndo.
no primeiro dia nao saiu
nem no segundo
nem no terceiro
demorou anos
um dia, nao foi trabalhar.
pegou o ônibus e voltou pra casa...
que era tão longe, q ele adormeceu
e passou do ponto.
parou em frente ao trabalho.
entrou, sentou e desejou partir.sempre.

e desistiu.
tão sozinho, o velhinho ficava no bar
bebendo um trago
fingindo que lia(nada mais lhe interessava)
rabiscava letras num caderninho antigo
e cuidava de si
como desleixado faxineiro.
contava os dias que já nao esperava por vir
só lembrava de um abraço perdido, de surpresa
em frente a um teatro - ou seria um cinema, ou seria uma praça?
ou seria um corredor de hotel?
mas era o abraço da mulher amada.
isso ele sabia.
sentiu saudades do caderno de perguntas
eram perguntas tolas, mas que faziam todo sentido, era um orkut que passava de mão em mão, cada um demorando um tempo pra responder, levava pra casa, tentava adivinhar se as respostas eram verdadeiras(na maioria das vezes, eram)...
saudades , simples assim, como as perguntas.
de tao fragil
caiu
e desmanchou-se no chão
cimento puro da
realidade.
acordou , entao.
utopias devassadas
vestidos floridos na janela
lembranças de um bebê tristonho
loucuras de amor
cartas e fotografias - rasgadas, queimadas
quem era essa mulher que gritava de dor???